segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Tempo


É incrível, mas do tempo só temos algumas certezas: ele passa muito depressa, ele não volta atrás, e mais que tudo ele nos impõe as suas vontades.
Toda nossa vida é tempo. O tempo que levamos sendo gestados, e o tempo que levaram para decidir nos conceber. Somos o tempo que levamos para falar, andar, correr, ler....
O tempo marca nossas escolhas. Quando iremos dar o primeiro beijo, quando teremos nossa primeira transa, quando iremos querer ter filhos, e se demorarmos muito... se os vamos ter.
  Tempo marca o rosto, as mãos, o corpo inteiro.
  Mas com o olhar, o tempo age diferente.
  O olhar é atemporal, ele pode guardar em si décadas de vida sem perder a doçura que sempre teve ou a sabedoria que sempre exprimiu.
 O olhar fala de tempo sem envelhecer. Ele é a única parte de nós que se recusa a fenecer.
 Dizem que com o passar dos anos olhar perde o brilho. Não acredito, penso que com os tempos idos, o olhar apenas demonstrará aquilo que sempre foi. Ou brilhará para sempre, ou apenas deixará que se veja aquilo que negávamos quando já sabíamos ser aquele olhar, sem brilho algum..
Às vezes tentamos por no olhar nossas esperanças e estrelas, mas se elas não são mesmo nossas, a gente se cansa.
 Ao nos cansarmos elas desaparecem, e então dizemos que o tempo levou o brilho do olhar.
O tempo....o que de fato ele faz? Leva ou deixa marcas em nós?
Não culpo o tempo por nos levar alguém querido, mas agradeço por ele deixar por anos, semanas, dias, minutos, pessoas caras perto de mim.
Não posso brigar com o tempo por ele transformar o meu corpo, mas devo entendê- lo, pois só essa transformação me dá a bagagem de que preciso para dar valor ao que realmente importa na vida.
Há tempos de flores, de frutas, de frio , de calor...
Há tempos de amor, de guerra, de luta, de paz....
Há tempo perdido, tempo querido, tempo que queremos esquecer, tempo a mais que gostaríamos de ter.
Com certeza queremos tempo de sobra para rir e  de menos para chorar.
O fato é que tempo é tempo, ele não espera, não pondera, apenas passa ....

                                                                                                               Janeiro, 2010














Nenhum comentário:

Postar um comentário